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BRASÃO DE FERNÃO DE LORONHA
FERNÃO (ou FERNAN) DE
LORONHA era descendente de uma família ilustre, da
Lotheringen, na Inglaterra, fronteira com a Escócia,
que mudou-se para a região de Astúrias, na
Espanha, de onde passou para Portugal, no final do século
XV. Nasceu, provavelmente, entre 1470 e 1475, filho de Martin
Afonso de Loronha.
Assim como muitos dos ricos mercadores lusitanos,
era um cristão-novo, ou seja, um dos judeus
convertidos ao cristianismo por força de decretos
reais, assinados em Protugal a partir de 1497. Era um dos
nomes de maior destaque entre os mercadores que assinaram
um "contrato de arrendamento" do Brasil com o
Rei D. Manoel, determinando as condições para
a exploração comercial do vasto território
que havia sido descoberto.
Depois que Portugal descobriu o caminho marítimo
para as Índias, Loronha tornou-se um dos principais
negociantes de pimenta-malagueta em Portugal, tornando-se
também armador e enviando naus para explorar o oceano.
Foi ele, como membro mais importante da sociedade à
qual o Brasil fora arrendado, que financiou a expedição
de 1503.
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Por isso, recebeu a ilha descoberta nessa viagem
(chamada por Vespúcio de São Lourenço, por
ser este o dia dedicado ao santo mártir) como Capitania Hereditária,
em 16 de janeiro de 1504. Tornou-se, então, o 1º donatário
em terras do Brasil. No entanto, jamais veio tomar posse de sua
propriedade, embora o território continuasse pertencendo
aos seus descendentes, que sempre reivindicaram a transferência
dele.
Mesmo controvertido nas ações que desenvolveu
em Portugal, Fernão de Loronha é o personagem que
a história imortalizou, na permanência do seu nome
na capitania hereditária que recebeu e onde jamais esteve.
O tempo e os diferentes registros do seu nome, em mapas e escritos,
alteraram-lhe a grafia.
O nome FERNANDO, de agora, já foi escrito
como Farnand, Ferdinand, Ferdonando, Fernan, Fernão, Fernandez,
Firnan... E NORONHA foi Delon, Lazono, Lorena, Lorenha, Loroña,
Loronha, Lorono, de la Rogne. Hoje, a história o reconhece,
simplesmente, como FERNANDO DE NORONHA.
O Brasão
Em 26 de agosto de 1506, Dom Manoel assinou um alvará,
negando a Fernão de Loronha licença para usar o
brasão que fora concedido pelo Rei da Inglaterra, Henrique
VII. Em 28 de junho de 1524, Dom João II, sucessor de Dom
Manoel, o fez "fidalgo de cota d'armas" e deu-lhe um
brasão especial, mais requintado do que o brasão
inglês concedido à sua família.
Em 23 de setembro de 1532 seria a ela atribuído
o brasão d'armas especial, como hoje conhecemos. Este novo
brasão possui um "um escudo partido em pala, a primeira
parte de prata e, nela, na cabeça, meia flor-de-lis, de
ouro, pegada com meia rosa vermelha e a outra parte de verde,
com a mesma flor-de-lis, douro e meia rosa vermelha no pé.
Na cabeça, uma pomba de prata, voando. Elmo de prata sarado.
Paquife de prata e verde. Por timbre, a mesma pomba, o qual brasão
de armas, elmo e timbre o dito Portugal, etc.". |