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VILA DOS REMÉDIOS
Apesar de descoberto em 1503 e doado como Capitania Hereditária
em 1504, o Arquipélago de Fernando de Noronha permaneceu
abandonado por mais de dois séculos, recebendo abordagens
passageiras de navegadores de várias nacionalidades.
No século XVII os holandeses ali permaneceram
por 25 anos. Quase nada existe como marca desse tempo, afora
uma parte das muralhas da atual Fortaleza dos Remédios
(onde um reduto fora por eles construído, em 1629)
e os espaços dos experimentos agrícolas.
Os relatos desse tempo falam de "armazéns",
"casas de moradia", "entrepostos de mercadorias",
"curral", "hortas", uma pequena "Congregação
Reformada Calvinista" entre outras evidências construtivas
para uma ocupação tão longa. Além
dos "Jardins Elizabeth", onde culturas eram experimentadas,
sobretudo o anil. E o espaço dessa "Vila"
holandesa foi justamente onde se fez a VILA DOS REMÉDIOS,
no século seguinte, após a definitiva ocupação
por Portugal, através da Capitania de Pernambuco. |
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As condições estratégicas deste local eram
evidentes: próximo a uma corrente d'água denominada
Riacho Mulungu e de outras nascentes; de fácil acesso à
Enseada do Cachorro, que servia eventualmente de ancoradouro;
a nascente de água potável transformada depois na
Bica do Cachorro; o acesso direto à nova fortaleza (Remédios).
Tudo fazia crer ser esse o local ideal para a implantação
da principal Vila.
Desenvolvimento Urbanístico
O traçado urbanístico da Vila dos Remédios,
com sua estrutura planejada, era composto por dois pátios
(duas unidades espaciais). No espaço superior, ficava a
Administração, o poder civil, e no inferior, a igreja,
o poder religioso. Toda a área foi calçada em pedra
e as edificações construídas foram sempre
de grande porte. Vale destacar que uma das principais funções
da Vila, na sua origem, foi dar suporte ao sistema carcerário
também implantado a esse tempo. Estrategicamente a vila
não deveria ser vista do mar.
A VILA DOS REMÉDIOS despontou como o principal núcleo
urbano da ilha. Nela ficavam, a partir do século XVIII,
a administração, com seus prédios públicos,
os alojamentos carcerários e oficinas para presidiários,
a Igreja, a praça de comando ou praça d'armas, as
casas de moradia, o almoxarifado, a escola, o hospital e os armazéns
para estocagem da produção agrícola e gêneros
vindos do continente.
Também fez surgir o sistema viário calçado
por toda a ilha, utilizando o modelo "cabeça de nego",
havendo sempre a preocupação com a drenagem das
águas pluviais e a conservação do solo, procedimento
este adotado nos pátios e ruas que definem a vila.
Durante mais de duzentos anos esse núcleo foi sendo usado
e conservado na sua estrutura original, com pequenas modificações
e inclusões. Em 1938, quando da entrega do arquipélago
à União, arquitetonicamente a vila estava extremamente
bem cuidada.
As grandes interferências e desfigurações
foram sentidas, na sua maior parte, a partir de 1942, com a ocupação
ocorrida na II Guerra Mundial. Perdeu-se, então, parte
da face urbana antiga, surgindo a influência da construção
pré-fabricada, pela sua praticidade em tempos de emergência,
tornando-se um referencial nessa tecnologia.
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