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APRESENTAÇÃO

Através dos séculos, a solidão e o isolamento dos que viviam em Fernando de Noronha despertou a fantasia desses homens, fazendo surgir lendas que atravessaram os tempos, falando de mulheres sedutoras, de figuras ameaçadoras, de castigos, de piratas invasores, de tesouros escondidos em cavernas ameaçadoras, de figuras míticas, de morte, etc.

A análise desses mitos reflete vários momentos históricos e políticos da ilha, deixando um "rastro de verdade" na fantasia que os gerou. A maior parte dessas lendas vem do tempo do Presídio Comum, remontam, possivelmente, do século XVII aos dias atuais. Simbolizam os medos e desafios desses presos, tão distantes do continente.

Essas histórias fazem parte do consciente cultural da ilha, tendo sido registradas em diversos momentos, por pesquisadores de muitos estados, chegando aos dias de hoje pela memória, pelo cancioneiro popular, pelas expressões da música e da poesia.

Todo esse universo foi coletado, analisado, sistematizado e disponibilizado ao público com a publicação da obra Fernando de Noronha: lendas e fatos pitorescos, de autoria de Marieta Borges Lins e Silva, na qual estão realçadas as lendas mais importantes.

Foto:Antônio Melcop
Natureza e história de Noronha foram fontes para um rico universo de mitos e lendas

Esses mitos também tiveram destaque no carnaval de 1995, com a Estação Primeira de Mangueira apresentando no desfile o enredo Fernando de Noronha: suas lendas e suas possibilidades fantásticas. A Escola de Samba do Rio de Janeiro tomou como base o livro de Marieta Lins e Silva, carnavalizando cada uma das histórias guardadas pela oralidade e registradas como fruto de pesquisas. Coube ao carnavalesco Ilvamar Magalhães criar o enredo e todos os elementos postos em desfile na avenida. Veja aqui o samba-enredo da Mangueira sobre Noronha.

   

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