Fernando de Noronha

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28/10/2020 - Fernando de Noronha reforça equipe de Vigilância em Saúde para o controle da Covid na ilha

Aberta de forma total ao turismo desde o dia 10 de outubro, Fernando de Noronha registrou até o momento 16 novos casos de Covid na ilha. Por conta disso, a administração do distrito reforçou a equipe de Vigilância em Saúde para atuar de forma mais rigorosa na entrada de visitantes na ilha e evitar uma possível disseminação descontrolada do vírus no arquipélago. Cinco profissionais da Secretaria Estadual de Saúde se juntam aos outros quatro contratados pela vigilância da administração antes da abertura total, com o objetivo de investigar os novos casos que forem surgindo. Para a próxima fase (com o aumento de voos para o arquipélago) existe a expectativa de contratação de outros dez profissionais de saúde.

“O reforço na equipe de Vigilância em Saúde se fez necessário devido ao aumento do número de pessoas circulando diariamente na ilha. Fizemos um grande esforço desde o início da pandemia até hoje para controlar a contaminação e evitar a circulação do vírus. Não podemos deixar que todo esse trabalho tenha sido em vão. Então estamos nos cercando de todos os cuidados para continuar cumprindo a nossa principal missão, que é preservar a saúde das pessoas”, explica o administrador da ilha, Guilherme Rocha.

“Quando mais for aumentando a entrada de turistas, mais iremos requerer quantidade de esforços. A área de foco hoje é justamente essa, de vigilância em saúde. Iremos fazer todo o aporte necessário. Já foi sinalizado pelo governador Paulo Câmara e pelo secretário de Saúde, André Longo, além do administrador da ilha, Guilherme Rocha, que nós vamos fazer esses aportes para continuarmos a mesma linha de ação que vínhamos mantendo em Noronha desde o início do ano”, diz Fernando Magalhães, superintendente de Saúde da ilha.

O superintendente reforça que, embora a pandemia continue, com vários locais ao redor do mundo vivendo a segunda onda, tem observado pessoas ainda descumprindo os protocolos de segurança. Ele cobra mais atenção às regras, sobretudo da própria população e de pessoas ligadas ao turismo, já que a ilha tem recebido visitantes de vários estados que ainda apresentam índices altos de contaminação. Segundo Fernando Magalhães, algumas pessoas circulam sem máscara e não estão respeitando o protocolo de saúde. Relatos de funcionários de empresas de turismo indicam dificuldades com os visitantes no cumprimento das determinações das autoridades sanitárias.

“Estamos fazendo ação conjunta com a Polícia Militar e a Polícia Civil para que isso seja combatido. Qualquer um que faz parte do turismo tem que pedir para que os turistas sigam os protocolos, para eles (os funcionários) preservarem a própria vida. Temos várias pessoas trabalhando em conjunto para fazer o protocolo ser seguido. O mesmo tem que acontecer na pousada, no bar, no restaurante, no receptivo, para que tudo funcione normalmente, com todos se preservando, desde o guia turístico ao motorista, aos camareiros das pousadas, todos. Não podemos vacilar. É preciso seguir à risca os protocolos e usar o aplicativo Dycovid, que faz o alerta de alguém próximo com a doença. Agora que a ilha está aberta, temos que manter a proteção individual para cessar as transmissões”, diz.

Alguns turistas estão sendo testados positivos na saída de Noronha, no momento do embarque, porque existe a chamada janela de contaminação. O visitante pode ser contaminado logo após a realização do RT-PCR obrigatório para entrar na ilha, ou poucos dias antes do exame, quando o vírus ainda não é detectável. “Se cada um assumir o compromisso de cuidar da própria saúde, trabalhando com o turismo, utilizando máscara, higienizando as mãos, mantendo o distanciamento, nós não teremos a disseminação da Covid”, reforça Fernando Magalhães.

George Dimech, da Secretaria-Executiva de Vigilância em Saúde de Pernambuco (SEVS), que está em Noronha participando dos trabalhos, alerta para o descuido com o rigor do protocolo. “Confunde-se muito a abertura da ilha com a liberdade de cada um fazer o que quiser. Principalmente em Noronha que é um local de lazer. Mas a abertura das localidades, na verdade, aumenta a responsabilidade de cada um. Nada precisaria ser fechado se as pessoas cumprissem o desafio individual de cumprir os protocolos de saúde. Quanto mais a gente descumprir o protocolo, mais vamos estar brincando na beira do precipício”.

George diz que Noronha é um exemplo para o Brasil no controle da pandemia e está sendo um modelo para o conhecimento e troca de experiências sobre a Covid. O cuidado e o rigor das autoridades locais no combate à pandemia garantiu que a ilha atravessasse vários meses sem casos sérios e nenhum óbito.

O protocolo para entrar em Fernando de Noronha é válido para o morador, o trabalhador e o turista. Para quem não teve Covid, um dia antes do embarque, ou no dia do embarque, é necessário realizar o exame RT-PCR. Chegando a Noronha a pessoa apresenta o resultado negativo, entregando uma cópia desse resultado para a equipe de Vigilância em Saúde que está ano aeroporto. Se por acaso o exame tenha sido feito mas o resultado não tenha saído a tempo, ela é colocada em quarentena até sair o resultado. Se for positivo, a pessoa deverá cumprir quatorze dias de quarentena obrigatória. Já os que tiveram Covid, precisa enviar, junto ao pagamento da Taxa de Preservação Ambiental, o resultado do exame confirmando que já teve a doença. São aceitos dois tipos de resultados: O IgG positivo (sorológico), com exame realizado pelos métodos de quimioluminescência, eletroquimioluminescência ou Elisa imunoensaio, com menos de 90 dias da data do embarque. E o RT-PCR positivo (exame de nariz e garganta), com mais de 20 dias da data do embarque. A equipe checa se o exame é válido, vai para a equipe do Sou Noronha, que irá disponibilizar o QR Code de entrada na ilha, informando que a pessoa em questão tem cura clínica.

Fernando de Noronha registrou até o momento 140 casos de Covid-19, sendo 84 no arquipélago e 56 casos de pessoas que chegaram infectadas do continente. Desse total, 127 pacientes já tiveram cura clínica confirmada. Nenhum óbito aconteceu por conta do coronavírus no arquipélago.

Texto: Ney Anderson

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