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15/07/2020 - Estudo epidemiológico em Fernando de Noronha entra na segunda fase

Foi iniciada a segunda fase da pesquisa “Incidência e Prevalência da Covid-19 no Arquipélago de Fernando de Noronha”, com a aplicação de questionário aos 904 participantes do estudo. Já estão sendo entregues os laudos dos exames de nariz e garganta, o RT-PCR, e sorológico, com amostras do sangue, realizados na etapa inicial. Dos 904 investigados durante a primeira fase, 42 foram identificados com o novo coronavírus. A maioria teve a doença de forma assintomática e só descobriu a contaminação após os testes da pesquisa. Devido à reabertura da ilha para entrada de moradores que estavam no continente, aumentando o risco de uma nova disseminação da doença, é necessário dar continuidade ao estudo, com a participação de todos os pesquisados na primeira etapa.

O estudo tem sido importante para orientar as ações de vigilância e controle da Covid-19 e no apoio à tomada de decisões da Administração na retomada das atividades sociais e econômicas na ilha. Noronha hoje é o lugar que mais testa (proporcionalmente) para a detecção do coronavírus no mundo. Até agora, em torno de 1.200 pessoas já foram testadas, mais de um terço da população noronhense, o que representa 350 mil por milhão de pessoas. No entanto, o administrador da ilha, Guilherme Rocha, continua reforçando a importância de se manter as orientações de distanciamento social e hábitos de higiene para a prevenção e combate ao coronavírus, além da efetiva participação da comunidade no estudo epidemiológico, de extrema importância, de acordo com o gestor.

“Estamos conseguindo controlar o vírus, mas não somos imunes a ele. Por isso precisamos do apoio da população. A segunda fase da pesquisa vem para isso. Para entender o impacto da reintrodução de pessoas na ilha e confirmar se a Covid-19 está controlada realmente, se não está escapando um caso ou outro assintomático. As pessoas precisam entender o papel fundamental da comunidade nesta pesquisa”, diz.

Guilherme Rocha alerta que a não continuidade do estudo, por conta de uma possível desistência das pessoas, vai impactar diretamente na volta da normalidade que todos estão ansiosos para acontecer. “Essa segunda fase da pesquisa é importante para a retomada do turismo. A desistência das pessoas na pesquisa pode anular o estudo e impactar na reabertura. Depois de tanto esforço, podemos perder esse estudo inédito no Brasil se a população não contribuir”.

Mozart Sales, especialista da Secretaria Estadual de Saúde e coordenador do estudo na ilha, afirma que o sucesso que Noronha está tendo até agora, sem nenhum caso de óbito por coronavírus e com a doença controlada, é fruto da forma de se fazer o controle da pandemia, como estabelece a Organização Mundial de Saúde e a Organização Pan-americana de Saúde, monitorando os casos positivos, os contactantes diretos e a verificação de quem entra na ilha. “O Brasil já tem mais de 70 mil mortes. E por que não morreu ninguém em Noronha? Porque está se fazendo tudo certo. A população, a Secretaria de Saúde de Pernambuco e a gestão da ilha estão colaborando para atingir estes indicadores de hoje. A gente não pode descansar com essa doença”, diz Mozart.

Para manter os dados atualizados e saber se as pessoas tiveram mais infecções silenciosas, será necessária a continuação da pesquisa, principalmente agora com o retorno dos moradores e a expectativa da reabertura para o turismo. O estudo epidemiológico, que deve durar até maio de 2021, está fazendo a ilha ficar longe da transmissão comunitária do vírus, segundo o especialista, porque, quando os casos são identificados, o acompanhamento é feito por profissionais da área, incluindo a orientação de quarentena para as pessoas que testam positivo. De acordo com a pesquisa, 4.7% da população teve a doença na ilha e 95% não teve. Portanto, essas pessoas que não contraíram, estão suscetíveis à Covid.

“Diferentemente do Brasil, onde a doença não tem controle efetivo, isso só está sendo possível graças aos esforços de todo mundo e a colaboração dos moradores. Por isso eu peço que a população participe das outras fases porque, se não for feito, o estudo ficará prejudicado e não teremos o controle adequado da doença. Não é porque que Noronha até agora está bem, que iremos cruzar os braços e fazer de conta que não tem perigo. Precisamos manter a vigilância e continuar com as outras fases do estudo para um acompanhamento adequado”, reforça Mozart Sales.

Ao todo, foram registrados 76 casos de Covid-19 no arquipélago, sendo 42, identificados pelo Estudo Epidemiológico em curso na ilha. A terceira, quarta e quinta fase vão acontecer em agosto, novembro e maio de 2021, respectivamente.

Texto: Ney Anderson

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