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09/04/2019 - Fernando de Noronha dá importante passo para a eliminação do plástico na ilha

Noronha dará um passo importante para a preservação ambiental de um dos mais belos e ricos santuários ecológicos do planeta. A partir do dia 11 de abril, entra em vigor o Decreto Distrital 002/2018, que proíbe a entrada de plásticos e similares descartáveis na ilha. Conhecido como Plástico Zero, o decreto impede o uso e comercialização de recipientes e embalagens descartáveis. Entre eles, garrafas plásticas de bebidas abaixo de 500ml, canudos, copos, talheres descartáveis, sacolas e demais objetos compostos por polietilenos, polipropilenos ou similares.

As normas se aplicam a todos os estabelecimentos e atividades comerciais de Fernando de Noronha, incluindo restaurantes, bares, quiosques, lanchonetes, ambulantes, hotéis e pousadas. Com a fiscalização, quem descumprir o decreto fica sujeito a multa.
Para a readequação, a administração estipulou um prazo de cento e vinte dias, a partir da publicação do decreto. Nesse período foram feitos trabalhos educacionais de conscientização junto a moradores, empresários e visitantes. O ciclo de reuniões esclareceu dúvidas da implantação do decreto. A Administração fará ainda ações de conscientização para os turistas que estiverem embarcando para Noronha no aeroporto do Recife, e também na chegada deles no aeroporto da ilha.

O Plástico Zero é uma ação prioritária, que está em consonância com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que não fala apenas em reciclagem e reutilização, mas em descarte ambientalmente adequado de materiais, com redução dos resíduos. Para apoiar o planejamento, foi convidado o Menos 1 Lixo, movimento de educação ambiental e consumo consciente, que realizou encontros na ilha em janeiro, com a liderança de sua idealizadora Fe Cortez, que é defensora da campanha Mares Limpos, da ONU.

“Depois de 120 dias de adequação, Noronha agora entra de forma ativa no combate à poluição, por meio da proibição dos plásticos descartáveis. Devemos a partir de agora repensar os nossos hábitos e fazer as substituições necessárias, porque isso vai refletir em um local ambientalmente correto e, consequentemente, na melhoria da qualidade de vida dos ilhéus. Isso é apenas o começo de uma nova era para o arquipélago, porque a intenção é banir o plástico de uma forma geral na ilha nos próximos anos. Noronha, dessa forma, vai servir de exemplo para muitos outros lugares”, comenta Guilherme Rocha, administrador de Fernando de Noronha.

Algumas intervenções artísticas e exposições vão ser feitas durante a semana, como forma de conscientizar sobre a proibição dos plásticos descartáveis na ilha. Nesta quarta-feira (10/04) tem início a exposição fotográfica “Sonho por um sonho”, na Praça Flamboyant, com 24 fotografias de fotógrafos de Noronha e do Brasil, evidenciando imagens da natureza que estão ligadas com o tema plástico no oceano e a preservação do ambiente marinho.

Na sexta-feira (12/04), a artista visual Magui Kämpfe, de Porto Alegre (RS), vai fazer uma performance na Praia da Cacimba do Padre. A proposta dela é trabalhar com os elementos da natureza, principalmente o vento, usando também tecidos vermelhos transparentes como objetos cênicos que evidenciam a feminilidade por meio de ações subjetivas. “Seremos três mulheres, no total, e a gente vai executar movimentos de celebração da natureza, a relação que a gente tem com o plástico, o lixo e o cuidado com a natureza. É uma performance que remete à poesia, ao lirismo, no movimento dos tecidos voando com o vento. Valorizamos a energia feminina presente da mãe natureza, além do resgate de valores íntimos. É um trabalho, sobretudo, de vivência”, diz Magui.

O pernambucano Aslan Cabral, que também é artista visual, vai levar para a Praia da Conceição o Torneio Espacial: são enormes tecidos coloridos manipulados por duas pessoas, denominados cataventos, justamente porque utilizam esse elemento da natureza para fazer os movimentos. O artista faz essas intervenções lúdicas há três anos e já passou por lugares como Rio de Janeiro, Fortaleza, Lençóis Maranhenses, Goiás e até na Grécia.
Para ele, apresentar o torneio espacial para os noronhenses reforça a necessidade de criar uma diversão que não agrida o meio ambiente. “A ideia surgiu quando eu estava na praia, pensando em algo que pudesse ser executado de forma simples, com a ajuda da natureza e em condições meteorológicas específicas. É um esporte que surgiu a partir da necessidade de ser feito ao ar livre e sem deixar nenhum tipo de resíduo”, comenta Aslan.

Texto: Ney Anderson

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